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Sobre o último relatório do Imperial College

maio 10, 2020

Sobre o último relatório do Imperial College tratando do Brasil

 

O estudo foi feito considerando número de mortes, número de infecções e usou os dados de mobilidade do Google ( https://www.google.com/covid19/mobility/).

Antes de tudo, tratam-se de estimativas feitas por um “modelo” e, ‘modelos’ não são retratos fiéis da realidade e, sim, aproximações que auxiliam na tomada de decisões, sobretudo, em políticas públicas.

Aqueles que desprezam a ciência e evidências empíricas, insistindo ainda em repetir  o senso comum de alguns debatedores papagaios de TV, a leitura não é recomendada.

Pontos importantes:

1. O número básico que, em média, uma pessoa pode transmitir para outras pessoas é estimado pelo chamado Fator de Propagação ou Número de Reprodução e é expresso por “R0”.

Este número está sujeito à mudanças e, efetivamente, passa a ser expresso como “Rt” onde ‘t’ indica, em média, o número de transmissões potenciais.

Mas o que importa é:

-Se Rt for maior que 1, significa que a doença ainda cresce de forma exponencial, propagando-se mais rapidamente. Ex: Se R2, uma pessoa passa a doença para 2 que, por sua vez, passará para mais duas e, assim por diante.

-Se Rt for menor que 1, significa que a propagação será mais lenta e a doença tende a desaparecer. No Brasil, no início da pandemia, cada indivíduo, em média, transmitia para 3 ou 4 pessoas. Portanto, R3 ou R4.

2. Fortes reduções ocorreram após algumas medidas, dentre elas, as de distanciamento social, conforme gráfico para o estado de SP.

Mas, apesar disso, na tabela vê-se que nenhum estado o Rt igualou ou está abaixo de ‘1’.

O que indica que as medidas sociais reduziram o Rt, mas não atingiram os níveis necessários para mudar o padrão epidêmico.

3. No estado de SP o Rt é de aproximadamente 1,47

4. É baixa a proporção de infectados até o momento, o que eles chamam ‘taxa de ataque’ (attack rate), e mostra que ainda estamos longe da chamada “imunidade de rebanho”, defendida por alguns, e que situa-se em torno de 60-70% da população.

Se o parâmetro de tomada de decisões for este, o de 60-70%, além de inviabilidade dos resultados, nada mais haverá do que forte imprudência, aumento mais rápido de mortes e saturação plena dos sistemas de saúde em estados que ainda resistem.

5. No estado de SP, mesmo com a redução de mobilidade social em farmácias e mercados ficando em 21% não foi atingido o Rt próximo a 1.

Além de outras, algumas conclusões apontam que:

A redução da transmissão depende da redução da mobilidade. Mas não se atingindo o parâmetro necessário ‘1’ e, na ausência de medidas mais eficazes, não há como evitar o crescimento exponencial.

É necessário entender melhor a relação entre a redução da mobilidade social que resulta de  algumas atividades da economia e a velocidade de transmissão do vírus. Nesse aspecto, o poder preditivo do Google Mobility poderá auxiliar em novas tomadas de decisões sobre a flexibilização de algumas atividades.

O estudo está aqui: https://www.imperial.ac.uk/media/imperial-college/medicine/mrc-gida/2020-05-08-COVID19-Report-21.pdf

 

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